SCRUM: Na prática o que importa são os valores.

No dia 30/11/2009 aconteceu em Recife, mais um evento do Spin, com organização da Teresa Maciel, para falar de desenvolvimento ágil de software. O tema desse ano foi “Agilidade na Prática”.

Apesar de eu ter sido convidado para apresentar o case da Globo.com mais uma vez, quando vi o tema do evento, resolvi falar de algo que me preocupa muito ultimamente: A adoção do SCRUM pelo mainstream sem muita preocupação com os princípios e valores que estão por traz das práticas muito simples de serem explicadas e compreendidas.

O SCRUM pode ser facilmente explicado para um leigo no assunto com menos de 2 minutos e 2 ou 3 diagramas. Porém implementar o SCRUM e ter o time no que Jeff Sutherland chama de “Estado de Hiperprodutividade” é uma tarefa muito complexa.

Numa escala de complexidade que vai do simplório, passando pelo complexo, para chegar ao simples, eu classifico o SCRUM como um framework “simples”.
Além de toda a teoria da produção puxada, teoria das restrições, lean, PDCA, teoria dos sistemas adaptativos complexos e do paper de Nonaka e Takeuchi, por trás dessa simplicidade do modelo, o SCRUM engloba 38 patterns organizacionais de 60 que foram constatados pela equipe de Pesquisas da Bell Labs nos EUA, durante a ultima década do ultimo século, em projetos de dúzias de empresas ao redor do mundo que tiveram sucesso fora do comum.

Quer saber mais? assista ao vídeo da minha apresentação e veja os slides abaixo.

Aqui vc encontra um pouco da história de como esses patterns foram estudados através de 120 retrospectivas e aqui vc pode ver os 38 patterns, sem os quais provavelmente, o SCRUM não tem chance de funcionar.

Agradecimento especial para a Teresa Maciel, pelo convite e pela organização do evento e a Ana Rouiller e companhia pela receptividade e hospitalidade de sempre.

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Brazil Scrum Gathering 2009

Essa semana aconteceu o maior encontro de agilistas do Brasil, o Brazil Scrum Gathering 2009. O evento foi pra lá de polêmico e acima de tudo muito divertido.

A cobertura em fotos do evento está aqui no site do Manoel Pimentel

e mais outras no flickr do Luciano Felix, que também apresentou uma excelente palestra em conjunto com o Gustavo Coutinho

Os slides da minha apresentação estão no slide share onde é possível baixar a versão original com as notas que usei para apresentar.

Outras apresentações podem ser encontradas aqui, e nos blogs abaixo:


  • Boris Gloger: 6 Secrets to Run a Retrospective Successful
  • Boris Gloger: Scrum and CMMI
  • Alexandre Magno: Scrum e mudança organizacional
  • Alexandre Magno: Scrum Executivo
  • Rodigo Yoshima: Resumo do evento
  • Igor Macaubas: Scrum User Group Recife
  • Luiz Cláudio Parzianello: From Vision Statement To Product Backlog
  • No final do evento fui convidado para uma rodada de perguntas livres e respostas ao lado do Boris Gloger, Alexandre Magno, Michel Goldenberg e Jim Cundiff que fugiu para colocar a camisa do Brasil. Tivemos a chance de discutir sobre vários assuntos interessantes como times distribuídos, Agilidade no ambiente acadêmico, e What-Went-Wrong / What-Went-Well desde o início do Scrum.

    se você esteve no evento, deixe suas impressões nos comentários.

    Falando em Agile 2008

    Nos dias 23 e 24 de Outubro aconteceu em São Paulo o evento Falando em Agile.

    O evento reuniu grandes nomes do movimento ágil no Brasil para discutir estudos de caso, patterns de adoção das práticas ágeis, presente e futuro do desenvolvimento ágil. Entre os palestrantes estavam: Phillip Calçado, Antonio Carlos Silveira, Guilherme Chapiewski, Danilo Sato, David Anderson e muitos outros.

    A pedido de algumas pessoas que viram minha ultima apresentação em Recife sobre a adoção de Scrum na Globo.com, eu repeti a dose, atualizando todos sobre como estamos evoluindo, quais os desafios que estamos enfrentando e quais são os planos para o futuro.

    Os slides atualizados estão no slideshare:

    ATUALIZADO:
    o pessoal da Caelum publicou hoje(04/12/08) o vídeo a palestra:

    Como sempre, pra quem assistiu a apresentação o feedback é muito bem vindo, fiquem a vontade para deixar seus comentários.

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    Certified Scrum Trainer

    Como eu disse no meu ultimo post, na semana passada estive em Recife para apresentar a experiência da Globo.com com Scrum. No final do evento, tive a grata surpresa de ser convidado pelo Boris para fazer parte do seu programa de mentoring com o objetivo de me tornar um Certified Scrum Trainer.

    O programa tem um ano de duração, durante o qual eu acompanharei o Boris, ajudando nos seus treinamentos com uma participação cada vez maior, até estar apto a realizar todo o treinamento.

    O primeiro passo foi dado nesse fim de semana quando fui à São Paulo, para ajudar o Boris num treinamento CSM aberto. A idéia era chegar na sexta-feira pela tarde para poder fazer a programação do sábado com o Boris no fim do dia, mas devido ao tempo ruim no Rio de Janeiro, o Galeão ficou um bom tempo fechado e acabei chegando em São Paulo muito tarde. Por conta disso tive que fazer a minha parte de improviso.

    Durante o treinamento, Boris me pediu para explicar a dinâmica do Wall-Board e no final, quando ele falou sobre como escalar Scrum, tive a chance de mostrar como estamos tratando esse asunto na globo.com com 17 times atualmente.

    Foi muito gratificante ver como o Scrum está se difundindo rapidamente no Brasil além de poder trocar ideias com o pessoal da Abril Digital, Instituto Nokia de Tecnologia, Weg e Motorola. Sorte a todos!

    PS: ao pessoal que assistiu o treinamento, gostaria muito de ter um feedback sobre minha apresentação e como posso fazer para melhorar. Fiquem a vontade para escrever nos comentários.

    Product Owner Técnico??

    A motivação pra escrever esse post veio de uma nobre discussão que meu amigo Guilherme Chapiewski gerou em seu blog ao fazer um post sobre o papel do Scrum Master atuando como líder técnico do time. Como o assunto é polêmico, e vou adicionar um pouco mais de pimenta, preferi fazer esse “post resposta”, pra não transformar o post do GC num fórum. 😉

    <post_resposta>

    Na minha opinião, uma das grandes sacadas do Scrum está justamente no fato dos papéis estarem muito bem definidos.

    Durante anos a empresa para a qual eu trabalho, transformou nossos melhores técnicos em coordenadores, pois esse era o único jeito de diferencia-los do resto da equipe pelo excelente trabalho que eles faziam como desenvolvedores/arquitetos/resolvedores de problemas. E é ai que começam os problemas, pois o nosso excelente desenvolvedor senior, foi promovido a aprendiz de gestor junior e tem um longo caminho a trilhar. Mas pra complicar um pouco mais, ele não pode dedicar 100% do seu tempo as suas novas atribuições e ao seu aprendizado, porque alem de coordenador ele também é líder técnico, mete a mão na massa, faz café e chuleia, ou seja, começa a sofrer da sindrome do sofá-cama e não consegue fazer mais nada direito.

    Felizmente, a menos de 2 anos atrás, nós criamos o cargo de “especialista” e agora as pessoas podem optar por seguir a carreira técnica e se dedicar aquilo que elas realmente gostam de fazer. Mas isso não resolveu o problema dos nossos amigos coordenadores que ficaram perdidos no espaço-tempo vestindo o chapéu de gestor até o meio dia e o de líder técnico depois do almoço. Isso só foi endereçado a cerca de 10 meses quando começamos a implantar o SCRUM.

    Hoje temos coordenadores e até gerentes vestindo integralmente o chapel de time, analistas atuando como Scrum Masters, e todos -podendo- se dedicar 100% ao que mais gostam de fazer.

    </post_resposta>

    Essa polêmica toda acerca do Scrum Master técnico já foi muito bem endereçada pelo GC em seu blog. No entanto isso me fez lembrar de um tema que venho pensando há algum tempo e que deu origem ao título desse post.

    Pode, ou deve, o responsável pelo retorno de investimento do projeto ser uma pessoa com excelentes conhecimentos técnicos?

    Entre os papéis que o Product Owner deve exercer estão coisas como:

    • Definir as features do produto;
    • Release management;
    • responsabilidade pelo (ROI);
    • priorizar as features que tenham o maior valor de negócio;
    • aceitar ou rejeitar o trabalho feito pelo time;

    Certo, olhando para isso não me parece que o P.O. precise de qualquer conhecimento técnico. Mas espere um pouco, observe como as grandes empresas que apostam no Lean Thinking constroem os seus produtos.

    Vamos começar pelo criador da filosofia, a Toyota. No livro “The Machine that Changed the World”, James P. Womack explica que o elemento chave no processo de desenvolvimento de novos carros é o Shusa, uma espécie de super homem, o engenheiro chefe com excelência técnica, que mistura poderes de gestão a uma visão de mercado excepcional, para ser responsável pelo sucesso do produto. Ele tem responsabilidade e autoridade total sobre o projeto, é ele quem decide quais são as features que o carro terá e também qual será o seu custo no mercado.

    O fato do shusa ser multidisciplinar, facilita a decisão rápida na hora de colocar na balança o custo de se implementar determinado requisito funcional versus o seu valor de negócio.

    A Toyota é reconhecida por valorizar os seus funcionários como sendo o seu maior patrimonio, pois são as pessoas que desenham processos e produtos. E é com essa premissa que o shusa é “construído” dentro da Toyota, em geral ele é um engenheiro senior com mais de 10 anos de experiência, que então começa a ser moldado nas áreas de gestão, negócios, marketing e etc, para depois de cerca de mais 10 anos finalmente virar um shusa.

    Na 3M, nosso líder é chamado de Champion e tem funções muito semelhandtes ao shusa. Todo desenvolvimento de um novo produto é liderado por uma figura dessas e um time extremamente motivado. É o Champion quem concebe o produto(sempre visando resolver um problema do cliente), escreve a sua especificação inicial, monta o time, motiva, remove impedimentos, e lídera até o delivery. O Champion é um líder técnico que consegue enxergar um problema do cliente e endereçar o mesmo com uma solução inovadora.

    Como é de se imaginar, na Toyota e na 3M, a posição do shusa e do champion são altamente desejadas. Esse é o lugar onde todo mundo dentro da empresa gostaria de estar, e isso motiva novas pessoas a perseguirem esse caminho gerando uma escola natural de líderes.

    Seja Shusa ou Champion, o fato é que produtos brilhantes são concebidos por pessoas brilhantes.

    No início do Scrum o P.O. era visto como uma pessoa que trabalhava com uma distância grande do time, ja que a pressão que ele exercia era prejudicial ao time. Atualmente a grande missão do Scrum Master é transformar o P.O. num aliado do time.

    Juntando todas essas peças, formulo minha teoria de que, se alguém além do time deve ter conhecimentos técnicos, esse alguém é o P.O.. Ele sim deve ser um grande líder, com experiência técnica em alguma área funcional, que direciona o time pela competência, motiva e entusiasma. É a pessoa na qual o time se espelha e briga pra fazer da idéia dele uma realidade.